sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Só um beijo

Só mais um trago,
um pouco violento.
Beijo-te viciadamente,
beijo alucinadamente.

Minha boca pelo seu corpo,
seu corpo me enlouquecendo.
Entrego meu corpo à ti,
assim como quero te corpo apenas pra mim.

Só uma vez mais,
quero provar agora.
Diferente de antes,
seu beijo repentino.

Enquanto tocam músicas assim,
como as que tanto te escrevi.
Só uma música maluca,
durante quinze minutos.

Beijo-te sem parar,
enquanto toca tão lento.
Som do silêncio,
seu olhar violento.

Beijo-te mais uma vez,
para que possa se lembrar.
Você morde-me os lábios,
eu não peço pra parar.

Abraão Da Silva

Sul-Lar

  Até aqui dentro, um coração fechado de sentimentos pelos quais eu nunca fui capaz de compreender, sentimentos quais eu nunca entendi bem do que seria tratado. Um cara estranho como eu sou, que pôde se apaixonar por distancias e valores reais, que nunca se apaixonou por nada que fosse desleal, ou desleal também conta nas minhas paixões.
  Parecia sempre tranquilo, qualquer momento que eu estivesse bem vivo ou segundos depois de ficar doente. Tudo eram as más impressões de mim mesmo que eu havia criado numa memória qualquer.   Tudo o que parecia, é que eu queria muita atenção e não tinha quem me viesse falar.
  Ouvia musicas, sentidas, e me envolvia em cada minuto de solos de guitarras e vocais, sequer sabia eu que tudo o que eu estava sentindo era vontade de ter-te para mim, a distancia. Distancia em que eu me prendia ao saber que não teria como entregar-me a tal estrada que devia percorrer.
  Seria apaixonante se tal distancia, tomasse rumos iguais aos meus, com um jeito de me ver, me conquistar e se apaixonar por mim. Essa demora me desconserta, me atrai e me invade. Essa saudade que vem e deita dentro de mim, como a distancia percorrida daqui ao sul... Sul, que você foi, e que não estaria por perto pra te aquecer no inverno.

Abraão Da Silva

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Vestígios Litorais

Os vestígios que ficam,
dos passos na areia.
Cada segundo mais apagados,
estamos de pés molhados de frente ao mar.

Vaga-lumes a voar,
vento frio em nossos corpos.
Litoral exposto...
calor do teu corpo.

Os vestígios não ficam,
os passos foram apagados.
As pedras mudaram de lugar,
e eu só queria ter ficado por lá.

Abraão Da Silva

Luar

Olha pra lua, amor,
imagina meu olhar.
Olhar que deixo a te encarar,
em todo momento te espiar.

Olha a tua volta,
volta pra mim e não demora.
Vem dormir,
ninguém te acorda.

Oh meu bem,
onde quer estar?
posso te levar,
posso te amar.

Abraão Da Silva

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Pátrio

Você é hoje diferente,
do tempo em que me lembro.
Era divertido sair com você,
para qualquer lugar que fosse.

O tempo passou e não percebi,
quão rude e ignorante se tornou.
De longe parece o pai que me amou,
de perto tenho medo, prefiro esconder o que sou.

Quantas lágrimas deixei cair,
e você nem imagina.
Quando sofri, fui apenas reclamado,
precisava de colo, mas fui negado.

Eu lembro como era antes,
mas mudou...
Não é o mesmo pai,
só finge o mesmo amor.

És falso, e como dói,
realmente me destrói...
A saudade do passado,
o pai que ainda vive, mas não ao meu lado.

Abraão Da Silva

terça-feira, 3 de junho de 2014

Nudez

Imagem por: Neto Silva
blog: http://netoarts.blogspot.com.br/
Noto cada detalhe teu,
cada roupa caída.
Sua beleza íntima,
normalmente inibida.

Sou atencioso,
desenho em minha mente cada curva tua.
Cada traço do seu corpo,
imagino-te nua.

Pinto e apago cada traço errado,
rabisco e conserto suas linhas tortas.
Deixo-te nua...
de perfil, assim, agora!

Noto cada risco certo em seu desenho,
suas roupas no chão do banheiro.
Sua beleza à mostra,
sua nudez exposta.

Abraão Da Silva

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Apenas Mais Uma De Amor

Apenas mais uma palavra,
numa canção de desprezo.
Jogada em qualquer lugar,
como o vento que não veio

Apenas mais uma de amor,
na liberdade de quem diz.
Na triste alegria do horror,
de quem diz o que condiz.

Abraão Da Silva

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Seu Dizer

Você diz não ser poeta,
e me conquista com palavras.
Me faz rir,
me deixa sem graça.

Em segundos me encareço,
te quero o colo e adormeço.
Sentir seu cheiro e suspirar,
me virar e ver teu olhar.

Você diz não ser cantora,
me canta versos e eu ouço.
Sua voz me acalmaria,
com seus braços em meu pescoço.

Digo que te quero,
e quero a cada segundo.
Segundos lentos que não passam,
eternidade em que me faço.

Te faço versos,
e digo te amar.
Seguro sua mão,
quero te beijar.

Te ouço versos,
em que você diz não fazer.
Mas deixa escapar tudo,
tanto que quero de você.

Abraão Da Silva

domingo, 25 de maio de 2014

Fim do Mês

Faltam seis dias para o fim do mês
e o que você fez?
Segurou algum problema,
ou enlouqueceu de vez?

Falta pouco tempo pro dia terminar,
e você, onde vai estar?
Tanto faz se for na igreja,
ou na mesa de um bar.

Faltam alguns minutos pra próxima hora,
e você aí parado.
Pensando na derrota,
levanta daí, vai fazer sua glória.

Abraão Da Silva

terça-feira, 20 de maio de 2014

Restos De Alguém

Com Deus ou sem ele,
não sei se sou humano.
Sou o resto de alguém,
só um pedaço urbano.
Com Diabo ou Salvador, 
seja ele quem for.
Não quero perdão,
não quero esse amor.
Um pedaço urbano,
que não presta atenção.
Vê placas e ignora,
que não vê revolução.

Abraão Da Silva